Essa semana passei por uma situação engraçada na escola onde trabalho...
Esse ano de 2014, é o "Ano das Novidades" para mim, pois em dezembro, foi minha despedida de tudo de 2013: meus amigos do trabalho, minha casa, meus alunos, enfim, comecei 2014 em escola nova, alunos novos, colegas de trabalho novos, Casa nova, cidade nova...
Mas não é sobre as minhas novidades que vim falar...
Como disse, cheguei em uma escola nova em janeiro, quando voltei de férias. Tudo novo, o que já não é novidade, haha. Como sempre faço, entro na escola nova e procuro cumprimentar todo mundo, pois isso faz parte da minha educação, e principalmente, pelo fato de eu considerar todo mundo igual, não importa o uniforme que usa, o salário que ganha, ou o tempo de estudo.
Mas, essa semana, aconteceu um fato que eu já sabia, mas não esperava tomar conhecimento.
Estava com meus alunos e, como sempre faço, brinco com as meninas da limpeza, para que elas também fiquem alegres. Passados alguns momentos, em horário de refeição das crianças, estávamos no refeitório, e uma das tias da limpeza veio conversar comigo.
Chegou pedindo desculpas e, na hora, não entendi. Ela explicou:
"Professora, quando você chegou aqui na escola, falei pras meninas: 'essa daí, olha só: é mais uma igual todo mundo'. Mas, com o passar dos dias, vi que estava errada, por isso hoje, peço desculpa."
Continuei sem entender, e ela continuou:
"Quando você chegou aqui, pensei que você também ia fazer como a maioria aqui na escola faz: passa pela gente, finge que não vê, trata a gente como se fosse nada. Mas vi que você não é assim, conversa com a gente, alegra nossos dias sempre que chega, mesmo não estando muito bem. Quero que você fique na nossa escola até o fim dos dias!!!"
(Nesse momento, não sei se ela estava me jogando uma praga, mas...)
Não tive reação ao ouvir isso, então, dei um abraço nela e disse:
"Somos todos filhos de Deus, não interessa até que ponto eu estudei, tem muitas coisas que não sei fazer, que tenho certeza que você faz com perfeição. Gosto de gente, não interessa também as roupas que usam. Se tiver braços pra me dar um abraço sincero, eu abraço e trato como amigo."
Ainda abraçada em mim, notei que ela deixou escapar uma lágrima...
Estou contando isso aqui, porque achei interessante compartilhar uma situação em que sofri preconceito, e, justamente por causa disso, pensei seriamente em desistir até da minha profissão.
Calma, não pensei em desistir por causa do que acabei de comentar, mas sim pelas situações que passei por causa do preconceito do pessoal que me pré-julgou sem me conhecer...
Com certeza, fiquei muito feliz com o ocorrido, pois as meninas da limpeza lá da escola aprenderam que não devem julgar ninguém sem conhecer, e eu, descobri que devo, sim, continuar assim como sou... Deixo meus problemas e tristezas no portão do estacionamento, e pego-os de volta, quando vou embora.
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