quinta-feira, 1 de maio de 2014

Sentimentos represados e disfarçados

Difícil dizer adeus a quem se ama.
Espera, eu disse difícil? Não, não é difícil, é Impossível!!!

Eis que a nossa menina está em casa, à toa, e toca o telefone. Ela se levanta e vai atender, crente ser sua mãe, pronta para lhe dizer mais alguns desaforos, para completar a maldição do dia.

Quando ela atende o telefone, surpresa!!! É o seu amor...
Ela fica mole e precisa sentar-se o mais rápido possível, para não cair. Finalmente estava ouvindo a voz que há dias ela esperava.

Eles conversam sobre tudo, como sempre fazem. Ela não resiste e pergunta quando irá vê-lo. Ele diz que está se organizando, mas quer vê-la, tanto quanto ela,

Conversam mais um tempo. Ela sabe que, dali para frente, as coisas mudarão, pois ele se casará com a outra dentro de 9 dias. Ela chama esse dia de "Dia do desespero"... Ele finge não entender, desconversa.

Durante a conversa, ela faz mil perguntas sobre seu estado de saúde, ele tenta responder a todas, ela o alfineta falando da outra, ele disfarça...

Ele está sonolento, devido à medicação, diz que precisa descansar.

Ela pergunta se pode lhe fazer um pedido "de menina mimada", antes de desligarem. Ele diz que sim, então, ela, na derradeira esperança, tentando fazer parecer normal a voz embargada, num esforço enorme para ele não perceber, diz:
"Não se casa semana que vem..."
Ele, assusta-se com o repente do pedido, pois não o esperava, diz que não pode fazer isso...

Ela engole seu sentimento, engole o choro que já estava explodindo, ele não pode perceber o sofrimento na sua voz.

Conversam mais um pouco, e se despedem, pois ele tem que se preparar pra viajar na manhã seguinte.

Se despedem com um simples "beijo, tchau". Ela ainda diz um "boa viagem", tentando disfarçar um "Eu amo você", que escapou de sua boca, sem querer.

Será que ele ouviu?
Será que ele percebeu o sentimento represado em sua voz?

Ela vai ficar eternamente com essa dúvida, pois é bastante orgulhosa e jamais vai lhe perguntar.

E continua sendo egoísta...

E agora,
mais triste,
mais sozinha,
mais trancada no seu mundinho,
mais escondida sob a carapaça que a defende de tudo,
E, simplesmente, chora, chora compulsivamente.

Agora, a sua única vontade é se esconder mais e mais,
em algum lugar do passado, onde jamais alguém poderá encontrá-la,
lugar que ela sentia esse amor, mas não sofria por ele, pois era, ops, ainda é alimentado
pela esperança, mas ela ainda não tinha cometido os erros que o afastaram dela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário